A Cuca Cultural apresenta o repertório acadêmico, formativo e profissional de seu propositor, Jonathan Ignácio

Sempre fui mais das palavras e das expressões humanas do que dos números e fórmulas. Desde criança, nas brincadeiras de faz de conta, eu me colocava no papel de professor, de vendedor, de empresário, do menino que mexia no teclado de um computador encontrado na rua, que brincava de escolinha com os pais e com os amigos. A medida que avançava na escola eu me envolvia mais e mais em atividades de protagonismo que me eram oferecidas, gostava de fazer apresentações, pegava o microfone com prazer e descobria o quanto gostava de fazer coisas a a partir da comunicação.

Quando chegou o momento das decisões, de forma tranquila e despretensiosa, juntamente com minha amiga Alexia Santos (com quem também estudei o ensino médio), em 2018 ingressei na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), no curso de Licenciatura em Teatro, uma escolha que desde então tem me feito existir de muitas formas. A universidade representou para mim um território da transformação, um espaço onde aprendi a olhar para a arte também como pesquisa, ensino e ação social. Durante a graduação participei de grupos de pesquisa, oficinas, cursos, montagens e projetos de extensão.Em 2018, ainda no primeiro ano de curso, me tornei bolsista da Pró-Reitoria de Cultura da UNIR. Foi meu primeiro contato com a produção cultural universitária, com a força dos eventos de extensão e de cultura, com as ideias de bolsistas e gestores que ganham corpo no coletivo.

Em 2019 iniciei uma super importante travessia, ao conhecer a Gisele Stering e ser convidado para integrar seu projeto e escola de teatro Taberna das Artes, espaço que se tornaria uma extensão da minha trajetória enquanto professor/oficineiro e diretor de teatro. Permaneci como oficineiro até 2024, ministrando aulas de teatro para crianças, adolescentes e adultos. Aos sábados aquele espaço se tornava o meu laboratório vivo: entre jogos, improvisações, ensaios de cena e risos, o que eu estudava na universidade e fora dela ganhava corpo ali, nas práticas, nas oficinas, nas descobertas de cada aluno. Como professor-diretor, percebi que dirigir também é um ato de criação.

Em 2022, atuei na coordenação de cultura do SESC Rondônia, um período de amadurecimento e ampliação de perspectivas. Conheci a produção cultural em todas as suas etapas, nas mais diversas linguagens. Nesse mesmo período aprovei meu primeiro projeto cultural, uma oficina de teatro virtual por meio da Lei Aldir Blanc (PNAB), quando ainda era uma política emergencial durante a pandemia, fundamental naquele momento de isolamento social.

Entre 2018 e 2025, participei de diferentes festivais, encontros, mostras e seminários que foram importantes para a minha trajetória artística. Destaco o II SemanARTE – Encontro de Licenciaturas em Artes Cênicas da Região Norte, realizado em 2019, em Rio Branco (AC), A XI Reunião Científica da ABRACE – Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas, em 2022, um dos principais espaços nacionais de socialização da pesquisa em artes da cena, também em Rio Branco, na ocasião participei das atividades, em especial as atividades do GT Pedagogia das Artes Cênicas. Em 2023 participei de forma online do CITA – Congresso Internacional de Teatro do Amazonas, realizado em Manaus (AM), que reuniu artistas, pesquisadores e professores de diversos lugares.

Em outros momentos publiquei textos e artigos que refletem prática e teoria no ensino do teatro. Entre eles, destaco a coautoria de um artigo sobre “o teatro no ensino de Física”, fruto de experiências interdisciplinares desenvolvidas durante a extensão universitária, publicado entre 2020. Depois, em 2023, publiquei um resumo expandido na Revista Aluá, onde apresentei a experiência da oficina de teatro realizada na Escola 4 de Janeiro pelo SESC Rondônia. Essas experiências se somam as participação como jurado em festivais e eventos, a convites para colaborar em projetos culturais, em ações formativas e na elaboração de pareceres.

Em 2023, concluí a Licenciatura em Teatro. Logo em seguida, iniciei duas pós-graduações: Docência na Educação Básica, pelo Instituto Federal de Rondônia (IFRO), e Docência e Práticas das Artes Visuais, ambas experiências que fortalecem minha atuação em sala de aula. Em 2024 retornei à universidade, agora como professor substituto do curso de Teatro da UNIR ,o retorno ao espaço que me formou, agora como formador. Ministrei disciplinas como Metodologia do Ensino do Teatro, Processos de Ensino em Teatro I e III, e Improvisação Teatral. Foi um dos momentos mais significativos da minha trajetória: ensinar a ensinar, revisitar a docência e o fazer teatral por meio da reflexão acadêmica e da metodologia docente,.

Ainda em 2024, aprovei dois projetos na Lei Paulo Gustavo, a videoarte em Libras “O Diabo na Lambada”, desenvolvida em parceria com a comunidade surda, e a Oficina Teatro Juventude, que promoveu uma vivência teatral com jovens da escola Araújo Lima. No mesmo ano iniciei e concluí em 2025 a segunda licenciatura, agora em Pedagogia, pelo Instituto Mineiro de Educação Superior – IMES.

Em 2025, ingressei e me tornei bolsista no Mestrado em Comunicação da Universidade Federal de Rondônia, voltando meu olhar à pesquisa sobre mediação cultural.  Neste mesmo ano, atuei como coordenador educativo e mediador da exposição “Lixúria”, experiência que envolveu arte e educação ambiental. Também me tornei Mediador de Aprendizagem no programa Unidos Pela Educação Inclusiva, atividade que sigo em exercício.